três violões

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a Ricardo Ordovás Lopes

Eu os tenho.

No primeiro toco saudades inconclusas
com gosto de limonada, em volta da mesa
de ingênuas descobertas e tempo perdido,
um tempo de tão antes
que parece nunca ter sido
e ainda é.
Dissonantes notas telefônicas
de tempero quase infantil,
tolos códigos que a amizade exigia,
dos outros ao redor tão distintos,
que o tempo buscou apagar,
embalaram tanta imaginação na vida inspirada
e a vida mesmo levou pra longe.

Com o segundo, desafinado, canto da trilha solitária
descrita nas páginas infantis do diário
que fui fazendo ao caminhar
sem querer deixar marcas,
dores e cartilhas e buscas,
me antevendo em rostos e muros,
escondido no vento da longa jornada
abraçado pela noite em que a solidão
cantarolava rudes melodias
nascidas para serem selvagens: havia lugar para o amor!
amansadas pela rotina
e outros tantos desejos aninhados num coração pequenamente vasto,
à sombra de um amanhã feliz que eu mesmo fazia –
e já era de novo a hora do almoço.

O terceiro está silencioso.
Como eu.

Eu os tenho.
Não.
Eles a mim.

(scs, 23114)

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3 comentários sobre “três violões

  1. Xico, estou lendo e relendo. É um grande privilégio ter esta homenagem sua à nossa amizade juvenil, renovada agora. Obrigado.
    Abraço.

  2. Primeiro Violão
    Encontros: Almoços com limonada, bate-papo no telefone, cachorro-quente com mostarda, correrias no colégio, amizade, …

    Segundo Violão
    Diário: Sentimentos, incertezas, imaginação, sonhos, vivências, …

    Terceiro Violão:
    Agora: Silêncio, despertar distante do passado, um olhar para trás e para frente, ausência, recomeço de onde paramos um dia. Novos sons.

    Xico, continuo feliz e muito grato pelo presente.
    Mostrei para Gabriela, que gostou e achou repleta de sentimentos.

    Abração.
    Caco

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