Tag Archives: morte

107

entraram
na
clínica
de
aborto.
Morreu.

19 set 2012

manhã sem outono

Photobucket

mantenha os olhos abertos
nas trevas desta manhã
e silencia o grito impensado,
aquieta a cabeça e ouça:

os rumores lá fora dizem que
não há mais esperança ou nuvens,
mentiras renovadas no bairro,
meninas correndo de medo

de um tal homem perverso,
de um bebê abandonado,
de outro dia que ameaça chegar,
o distante badalar da capelinha.

as trevas ainda permanecem
sobre as rugas de teu rosto
tão jovem cansada, tanto tempo,
querem os olhos ver mais (?)

o indefinido suspiro no sótão,
a silhueta no umbral da porta:
os vizinhos? estranhos? viajante?
ou o homem perverso, o tal?

balança a velha cadeira que range
como os pensamentos envilecidos,
como a mandíbula roendo unhas:
tudo inútil, vão, diz o pregador.

conforme-se, então, com o dia sem luz,
de porta entreaberta, sopro de vento
na cortina que esconde aranhas,
na poeira que conta abandono,

sorrindo a alegria só de memória,
tão encardida quanto a saia.
os pés frios, as mãos trêmulas:
não haverá outro dia assim.

(scs, 4912)

07 set 2012

contículo 32

Perdeu as chaves. Procurou no Google. Dormiu na rua. Morreu de frio.

07 set 2012

sem título

Eu gostaria de nunca mais acordar.
Não, não morrer:
sonhar!

30 jun 2012

cena

vinte anós após o outono
o relógio bateu de novo
na sala, sob o lençol branco,
agitando as folhas no quintal,
acordando a velha sem braços
na cadeira de balanço.
o crochê repousava em seu colo,
a teia de aranha pendia da agulha:
ela sorriu sem dentadura
de saudade da morte.

(scs, 11512)

13 maio 2012

!

Ah! E não posso esquecer
que foi naquele dia
que Maria morreu!

Acordou feliz e sorria,
cedo ainda, escuro como breu,
mas foi naquele dia
que Maria morreu!

04 maio 2012

63

conformada,
a
flor
se
deixa
arrancar

22 jan 2012

Promessa

A velha cancerosa
fuma fede
fala alto tosse
sangue.
Parece não ter medo da morte.
Pelo contrário,
sente saudade dela,
que a deixou logo na infância desnutrida.
A velha doente
acalenta a esperança
num cigarro após o outro
de que a morte logo cumpra
a promessa
de levá-la –
feita há tanto tempo.
Tosse fede
sangue

(scs, 31811)

30 set 2011

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