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das conseqüências da felicidade

não dormia mais
ou, se dormia,
não mais sabia
se sonhava ou
se o via

nem se cansava
de esperar na janela
o tempo que demorava
para ele aparecer
e, quando vinha,
o tempo não demorara tanto
e passava tão rápido
que nem parecia ter vindo

não precisava mais respirar
– pensava ela –,
só sentindo, à luz da janela
o perfume dele no ar:
doce cítrico ingênuo só dele,
com um sorriso maior
que o rosto
– e por nada mais tinha gosto

não se sentia mais só,
nem no final da tarde
nem ao visitar a avó,
sabia sentia que ele estava por ali
naquele ventinho suave a balançar a cortina
na voz que a fazia mulher-ainda-menina
no olhar que no coração sorria

– e ele nunca soube que ela existia.

(scs, 301212)

16 ago 2013

Sobre maneiras de viver (Larissa Caramel)

Porque não vale à pena tentar calçar sapatos que não cabem em seus pés.
Quando verdadeiros, nunca seremos mais que pessoas diferentes.

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Nós escolhemos como encarar a vida:

Podemos levar tudo como se estivéssemos a passeio, ou podemos levar a sério o que resolvermos fazer por aqui. Não vou dizer como você deve viver a sua vida, pois cada um sabe a que veio, e se não sabe é porque assim escolheu.

Eu descobri que o modo passeio não funciona para mim. Sei que perdi muita coisa boa e espontânea que poderia ter vivido, mas todas as minhas tentativas de ser imatura sempre foram forçadas desde que me conheço por gente.
Então ao invés de tentar viver essa vida jovem e desprendida resolvi assumir minha velhice precoce e entediada, praticamente (completamente) sem amigos e dedicada a aprender coisas que interessam a quase ninguém, e não me envergonhar mais por meu jeito chato de ser. Chato mesmo porque eu nunca fui e nunca serei o tipo de gente excitante e interessante que atrai atenções.

Apesar de sempre ter procurado aprovação e atenção, hoje sei que o que preciso de verdade é de equilíbrio. Equilíbrio de humores, emoções, atitudes. Aprendi que tentar ter milhões de amigos e histórias para contar não fará com que eu me sinta em paz. Porque é de paz que preciso, e tentar ser alguém diferente não me trará isso.
Por fim não há nada de errado em sermos quem somos e sermos diferentes, não no sentido em que a mídia tornou moda, mas realmente diferentes do que é esperado.

Afinal de contas, não estamos aqui para satisfazer expectativas alheias. Estamos aqui para irmos ao encontro do que esperamos e planejamos para nós mesmos, independente da maneira como escolhemos chegar até lá.

Fonte

27 maio 2012

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