Café,

Contudo, o homem nem sorriu.
Perto da janela, o vapor do café forte embaçava o vidro.
O chapéu cinza esquecido lembrava a espera. Mais um pouco. Cadeiras arrastadas.
Chovia? Ou as nuvens ignoravam aquela? De outra cor…
Nem era preciso pedir a música, a nova, outra dose, guardanapo.
Não havia motivos para. As manchas no vidro eram insensatas, nomes,
marcas de dedos, pele arranhada. Sem açúcar. Já: frio.
Sobre a mesa, anacrônico, um jeito estúpido de insistir. 15h37. Inquietudes.
Uma melancolia que descia, zombeteira, surda ao coração. Ninguém à vista,
próximo quarteirão, na praça, um tom desencantado, a antiga árvore: o assobio inventava
sua música, perdendo-se nos ares. Rabiscos e marca de batom.

Contudo, o homem nem sorriu.

(scs, 10414)