Tag Archives: ausência

não havia

Não havia na ternura
senão esperança.
Não havia no sossego
senão ojeriza.
Não havia no pesadelo
senão lembranças.
Não havia no desatino
senão amor.
Não havia na amargura
senão felicidade.
Não havia no sorriso
senão súplica.
Não havia no amparo
senão suborno.
Não havia no desencanto
senão verdade.
Não havia no repouso
senão outro.
Não havia no invisível
senão ausência.
Não a via no quarto
senão remorso.

28 abr 2012

78

Ausência
não
existe,
mas
como
persiste!

21 abr 2012

da ausência

recebi sem nenhuma surpresa a notícia de teu
silêncio
já há muito ele se insta
lar
a
mal disfarçado com
gemidos e sorrisos,
sussurros e gentilezas
mas gritando sua mudez sem fim
nos dias e nas noites
da alma

em silêncio repousa a ausência de ser
e de sons,
e nada mais há a não ser
nada

(scs, 11212)

18 fev 2012

Orvalho

a precisa dor
que ignora
a dor de não ser
no olho que foge
à luz
ao tato
então, no rosto se espalha
o vazio
da surpresa da ausência
e não há o que ver
não há alguém
e permanece essa lacuna
crescente
nas entranhas
no lábio rasgado
o vigor se esvai
em sangue e acenos
suspensos

só um remorso
como orvalho que se evapora
cobre o corpo
inerte
pela dor e sonha
revira-se na solidão
e no ar pesado
do olho foge a luz
no rosto permanece a lacuna
do lábio beijado
suspenso
que ignora a dor
precisa
a ausência crescente
e o tato vazio
o consome
e orvalho se vai
não ser

só resta um corpo
inerte
na solidão

(scs, 21211)

02 ago 2011

vertigem

não te sei do olho senão a vertigem
onde te penso noite
a fina e epidérmica fuligem
consome qual açoite

e não mais te vejo senão em saudade
como a bruma que passa
roçam as mãos e ferem-me com maldade
fica o riso sem graça

nem mesmo canto minha dor no lago
não ouço o calmo jardim
falta o torpe laço e o afago
sem perfume a aurora e o jasmim

(sc, sd)

24 abr 2010