mim

sou

1
(im)preciso
ser
assim

nós
2
solidões
lado
a
lado

acordo
às
3:
sou
ainda
mesmo?

de
4
procuro
respostas
(in)existentes:
[eu?]

os
5
dedos
apalpam
minha
inexistência

corro
para
alcançar-me
antes
de
vo6

escolho
7
livros
(d)escrevendo
quem
sou

alguém
af8
pelo
encontro
comigo
– serei?

vida,
re9-me!
o
espelho
diz:
igualainda

10esperado
tateio
meu
rosto:
quem
és?

sino
de
br11
informa:
durma
desesperada’mente

minha
over12
de
perguntas
silencia
urrando

temo
13
badaladas
inquirindo
de
mim

caminho
por
14
q-u-a-d-r-a-s
fugindo
tr.ôp.ego

na
15a.
desisto:
sempre
soufuiseria
eu

tive
16
u,m
dia
… bruta
saudade

pouco
vivi
os
17
tentando
ser-não-ser

ind…epend…entes
18
em
mim
prisões
infant~adultas

impreciso
aos
19
preciso
saber-me:
quem?

20
dizer:
sim –
sou
eu
assim

olhos nos

1
abrem-se
convictos
da
manhã
que
surge

2
vagueiam
cheios
de
respostas
sem
perguntas

3
olho
e
vejo-te
olhas-me:
não
sei

4
olhos
nus
olhos
nos
olhos
nós

5
na
janela
que
me

vejo-me

6
te
vejo
em
meus
olhos
tristes

5
mergulho
em
teus
olhos:
afogo-me
águazul

6
e
tão
tonto
tento
então
rever-me

7
olhares
que
fogem
maltratados
de
abandono

8
os
OlhOs
Olho-Os
vazi0s
num
s.i.l.ê.n.c.i.o

9
insisto:
olhe-me
como
outro
que(m)
sou(?)

10
(temo
olhar
e
de[ver]
te
amar)

11
“nunca
vi
ninguém
assim!”
ah,
sim…

12
– vi-me:
a
dor
ampla,
nunca
vista

13
antevejo
meus
olhos:
lágrimas
e
ninguém –

14
olha-me
com
outros
olhos:
os
teus

15
meus
olhos
leais
lamentam:
não
mais

16
vejo-te
como
nunca
– e
sempre
foste

17
vemos
o
que
vi(fo)mos:
foi-se
insaudoso

18
vemo-nos
como
de
novo
primeira
vez

19
invisível
ah!
mar
de
amor
– olhares

20
cúmplices
mãos
dadas
vamos
vemos
somos

Aldravipeia e tautograma

A poesia é desassossegada, inquieta, bicho feroz, que olha com desconfiança para limites, prisões. Ama inovação, refazer-se, repensar-se, propor-se formas para, então, desafiá-las, enfrentá-las, empurrá-las para que adotem outra forma.

Sabedora disso, criada por Andreia Donadon Leal e com argumento teórico de J. B. Donadon-Leal, a Sociedade Brasileira dos Poetas Aldravianistas, da qual eles são os fundadores e este escriba é associado, lançou dia 17 de setembro de 2013 uma nova forma poética: a aldravipeia. Trata-se de um poema temático constituído por 20 aldravias, todas dedicados a um único tema ou a uma única palavra. Pra entender melhor a proposta, clique aqui.

Achei maravilhosa a proposta da aldravipeia! Amplia a aldravia e também desafia o poeta a poetar de seis em seis até produzir uma sinfonia de vinte movimentos aldrávicos coerentes, interligados pelo fio temático, mensageiros sextavados da mensagem única. O próximo post (detesto essa palavra inglesa, mas não achei ainda uma substituta nacional. Acho que vou inventar uma.) trará minha primeira aldravipeia.

E falando de outras formas poéticas, recentemente descobri duas delas. A primeira é o tautograma, forma poética em que todas as palavras do poema têm a mesma inicial. Estou experimentando umas cruzas de aldravia com tautograma. O resultado vem a seguir.

É isso. Experimentar novas formas de dizer o mundo.

Abraço.