poema em imagem

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(fonte da foto: desconhecida)

17 nov 2009

barata

Havia uma barata no meio da calçada.
Esmago-a sem emoção.
Na verdade, confesso
com prazer de eliminar seu ser asqueroso.
(Terão alma as baratas?)
Agora carrego seus restos mortais,
sua lembrançalma gosmenta,
na sola do sapato.

Eu não matei a barata. Perpetuei-a.

(mc, 13119)

(fonte da foto)

13 nov 2009

de homens e borboletas

Muitos
feiúra permanente
irremediável.

Todas
beleza efêmera
fotografável.

Por que essa injustiça, meu Deus?

(mc, 4119)

(fonte da foto)

04 nov 2009

solidão

Solidão é estar onde o coração não está.

(fonte da foto)

31 out 2009

eu

E eu nem supunha
encontrar-me em
mim.

Quanto à vida,
ela me vive há tempo que…
melhor deixá-la assim,
pensando viver sem mim.

(mc, 30109)

(fonte da foto)

30 out 2009

folha

a folha que caiu da árvore
é linda no chão
era linda na árvore
que não a quis mais

a folha se chora
uma lágrima da árvore
a folha está morta
adubo para a árvore

(mc, 1399)

(fonte da foto)

28 out 2009

o frio é ingual a morte

é, sim
vai entrano sem dizê com licença
          pelas fresta
           da porta
          do vidro quebrado
          das ropa
          dos pensamento
          da vidinha da gente
sesguerano
um intruso
ninguém chamô, mas talí
dizeno presente pruma chamada que prefessora ninhuma fez

o frio danado
vai machucano
faz os dedo doê
faz o nariz pingá
faz os óio chorá
martrata mess
e acho qui nim ele mess sabe pruquê
só vai esfriano tudo no caminho
e vai fazeno um caminho
que inté é bem bonito

as pranta cuberta de geada
as pedra grande de gelo que o céu manda
aquelas nuvi com cara brava
quiscondi o sol como se ele nunca mais fosse vortá
qui faz os pessoal se enrolá nos casaco
no sobretudo que tava com chêro de mofo
inté nim cubertô
que era pra usá só na cama
mais o frio faz a gente não tê dessas bobage, não
o que importa é não senti frio
não deixá ele se chegá muito
só ficá lá fora, pra dá esse gostozinho
esse sincoiê todo
fazê gelo fino nos vidro
fazê fumacinha da boca de guri que não fuma
querê tomá sopa bem quentim
torceno pra ele í simbora bem rápido

no frio parece que as pessoa se ama mais
puromeno ficam mais juntin
mais pirtim
feito gente que vai se dispidí pra nunca mais se vê
inté os menino, sempre arredio com essas coisa de carinho de mãe,
se aprochega degavarzim
mei pedino colo uma esfregada na ponta do nariz vermeio
limpando o nariz na manga do casaco surradim que só

o frio é mau
mais faiz umas coisa inté bonita de se vê
de se apreciá
como o homem do campo
          que tá sempre trabaiano
sem tempo pra patroa nem pros minino
mais no frio
desse lascado, de prendê o vivente em casa,
o homem de cara dura
que parece num gostá de outras gente
é obrigado a ficá com a famía
a oiá pra muié com argum carinho
          e se lembrá que tá cum ela prucausa que um dia se amaro
          e se lembrá de como que ficô bobo quando os minino viero
e o frio faiz ele desancarrancá
e a chamá a muié, meio sem jeito, rudão lá como ele é,
pra sinroscá nos braço dele, no pala grandão que ganhô num lembra di quem
e pra puxá os bacuri tamém
já meio ranhentinho purcaus do frio
e eles fica ali
pirtim do fogão a lenha
oiano pra fora
pro mundo frio congelado sem gente
e oiano um pra cara do outro
carona feliz, vermeia do calô do fogão
vermeia do calô do coração
tudo junto, uma famía traveiz

o frio marvado
martrata a dona varquíria, coitada
sem marido pra valê purela
sem fio nem parente pra ajudá na lida
tem de peleiá sozinha todo dia
e o rematismo ataca doído no frio
e as dô nas mão fica mais forte no frio
e o pigarro feio fica mais feio inda no frio
e as ropinha que ela tem num protege ela do frio
e a lenha jacabô antes do frio
e ninguém simporta muito com ela
gente que tem o coração frio
e o frio que se entremete
que num respeita as tranca
e as bucha de jornal na janela
a brasinha miúda no fogão
foi sispaiano na cozinha, pititica ansim, da dona varquíria
e num sossegô enquano num matô a pobre
e ela morreu sigurano o úrtimo graveto que tinha

pelas minha observação
pelas andança por esse mundo de meu Deus
pelas prosa que a gente escuta na porta da igreja
           no buteco com bilhar
          das mãe na saída da iscola
           dos moço que recrama da vida (ah, e eles nem começô a vivê e já acha
                    que sabe tudo dessa vida e que pode inté
                    insiná os mais véio)
          pelas confidência dumasalma sem esperança
          pelos cochicho em velório (algumas pessoa finge tá triste, mais otra
                    de fato sente farta de quem partiu)
          pelas piadinha nos quarto de gente desenganada
           nos muito sotaque e modo di falá
só posso concruí
que o frio é igualzim a morte
inté acho que um é o otrô
que eles só troca de nome pra não espantá as pessoa
ninguém gosta da morte
mas o frio tem até um lado bem bonito
que engana
e entra
sem respeitá nada
e maltrata
e mata

ó o que aconteceu ca dona varquíria

(fonte da foto)

28 out 2009

poema em imagem

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(foto: autor desconhecido)

27 out 2009

torrente

uma torrente de pensa
(mo)mentos sem fim se(m) co(r)(roem)
movem dentro de mim
dores abstratas sem ros
(a)tos nem nomes nem par
to de mim distante
em outras terras
na sempre constante espera
(cre)nça de que não há de ter
minar assim
sem fim

(mc, 7,879)

(fonte da foto)

27 out 2009

sem dono

cao

o cão sem dono
atravessa a avenida
sem ver o carro
que não vê o cachorro
que mata o cão
e segue apressado
pela avenida
e não vê o caminhão
que não vê o carro
que atropela o carro
e mata o dono do carro
como um cão sem dono

(mc, 25109)

(fonte da foto)

26 out 2009