os pássaros

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nessa tarde não escrevi
como em outras tardes
e a poesia se foi
com a chuva
na imagem que os olhos piscaram
e mataram
sob o som ao sol
que deixou de ser e calou-a
e o resto de vida
numa pedra, no alto do edifício,
no encontro dos desconhecidos

e não há mais a tarde
sem tempo de ainda dizer os versos
soltos
que esvoaçam e se prendem
aos cabelos, ao papel, ao assobio desafinado
e como pássaros rebeldes e medrosos
não pousam onde deviam
não se deixam capturar

a tarde levou embora
todas as poesias
(talvez fosse uma só
tenra e frágil,
tenra tímida criatura da floresta,
tenra selvagem monstro voraz,
tenra dileta paisagem,
inesquecível amiga…)

(scs, 1311)

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