Yearly Archives: 2015

sem título

bipolar

24 dez 2015

saudade

Aos que são

e brota
uma saudade frondosa
de qualquer
minúscula semente
de distância
lançada ao vento do aceno
molhada naquela lágrima engolida

(scs, 61215)

06 dez 2015

De onde sentado, no ônibus, observo

ônibus

a paisagem no fim da tarde
é de rostos cansados
inóspitos
imensas solidões e
eternas amizades
lista de por-fazer
angustiosa volta ao lar
de ônibus e seus estranhos
ruídos de motores e suspiros
sono encostado no vidro
a longa despedida para tão-breve
placas luzes grafites cores muros gatos náusea
vinda de desabafos à luz miúda
de pequenas imoralidades
o outro ser fingido real na tela do celular
um estranho lá fora – e outro aqui dentro
com a pressa de cerrar portas
sombras frias esgueirando-se nas esquinas
em pés descalços preguiçosos
o copo de esquecer-se

e a criança quer continuar brincando

(foto de Corinne Béguin)

27 nov 2015

a modernidade dos tempos

ônibus:
fale com o motorista
apenas o indispensável.

carro do google:
motorista,
você é dispensável.

bom mesmo era ir de mãos dadas
com meu pai
para a escola

02 out 2015

Aldravia na televisão

aldrava, inspiração do movimento aldravianista

O aldravismo é, agora, um movimento artístico amplo, indo além da poesia. Assista esta matéria da rede Globo sobre o assunto. Uma aldravia minha aparece por volta dos três minutos.

Sucesso aos colegas aldravianistas.

12 set 2015

sem título

eu li tuas letras
arranhadas na areia
úmida das lágrimas do mar
de teus olhos:
tantas de um só amor
tantas de só amar

20 jan 2015

sem título

teu silêncio
assim assustado
me cansa

de dizer coisas sem nexo
ouvidas sem querer
em ventos e sombras

porém, é mesmo preciso
que gritos passageiros
me despertem anseios

e voltem a ser mentiras
abandonadas sem ternura
e teu silêncio
assustado
permaneça belo e cansado

19 jan 2015

sem mim

desperdiço-me no vento
sem rumo no meio da noite
espantado com o silêncio que me fiz
entre pedras e sobressaltos
mesquinhando o abrigo e a sensatez

envolve-me uma dormência de festa
mexendo em minhas mãos um carinho impróprio
mas não me deixa suspirar, voz arrancada,
em busca dos passos há tanto esquecidos
no caminho que passa por mim

a formidável aurora convida a esquecer
uma tola felicidade de tantas pétalas
e me desperdiço de novo na chuva morna
cansado de não saber
e ainda assim esperar

(scs, 18614)

19 jan 2015

de sonho

em meio à madrugada
um sussurro arrastado lhe chegou
de olhos arregalados
sugerindo amores em nuvens

despertou

a solitária escuridão morna tudo cercava
e o silêncio

voltou a dormir
e então o sonho acabou

(scs, 13115)

19 jan 2015