Monthly Archives: Abril 2013

sem título

por muito menos
me desfiz de
nada e tudo
do que sobrou
era meu ou
nem era eu

25 abr 2013

i38

nem
tão
belo
nem
tão
triste

22 abr 2013

Manuel

a Manuel de Barros

o nome dele era outro,
mas ele
ele era ele mesmo:
o outro

(scs, 14413)

20 abr 2013

i37

duras
mãos
acariciam
o
frio
coração

20 abr 2013

i30

voou
e
foi-se
voltou
e
riu-se

20 abr 2013

i36

alegria
terrível
ver-me
invisível
angústia
risível

20 abr 2013

O poeta Manuel de Barros

14 abr 2013

Aldravia é tema de mestrado

Andreia Leal, poetisa e uma das fundadoras do movimento aldravianista, defendeu dissertação de mestrado defendida no dia 27 de março, no Curso de Mestrado em Letras da Universidade Federal de Viçosa. O tema foi: “Aldravismo: movimento mineiro do século XXI”. Ela foi aprovada com “excelência e louvor”, e a tese foi recomendada por todos os membros da banca para publicação imediata.

No terceiro capítulo da tese, eu fui mencionado! Veja abaixo:

3.4 – Aldravias publicadas no site do jornal aldrava cultural
Francisco Nunes – São Paulo

à
sombra
descansa
o
sol
suado
(In: http://www.jornalaldrava.com.br/pag_sbpa_francisconunes.htm)

De elevada sensibilidade poética, a aldravia de Francisco Nunes sintetiza a justificativa teórica elaborada por J. B. Donadon-Leal, tanto na evocação de Pound na assertiva de que a aldravia busca o máximo de poesia no mínimo de palavras, quanto na sua figuração metonímica. O poema de Nunes transpõe para o sol o resultado de seu calor, num jogo metonímico de causa e efeito imbricados de tal forma que a causa experimenta seu efeito.

Andreia, parabéns! Obrigado pela menção e avaliação de minha aldravia. E parabéns aos demais colegas aldravianistas!

13 abr 2013

Entre o sono e sonho (Fernando Pessoa)

Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre —
Esse rio sem fim.

(fonte)

11 abr 2013

Só eu sinto bater-lhe o coração (Miguel Torga)

Dorme a vida a meu lado, mas eu velo.
(Alguém há-de guardar este tesoiro!)
E, como dorme, afago-lhe o cabelo,
Que mesmo adormecido é fino e loiro.

Só eu sinto bater-lhe o coração,
Vejo que sonha, que sorri, que vive;
Só eu tenho por ela esta paixão
Como nunca hei-de ter e nunca tive.

E logo talvez já nem reconheça
Quem zelou esta flor do seu cansaço…
Mas que o dia amanheça
E cubra de poesia o seu regaço!

(Fonte)

Minha esposa não é loira, mas dedico a ela este poema. Te amo!

08 abr 2013