Monthly Archives: junho 2012

De um amor morto (Sophia de Mello Breyner Andresen)

De um amor morto fica
Um pesado tempo quotidiano
Onde os gestos se esbarram
Ao longo do ano

De um amor morto não fica
Nenhuma memória
O passado se rende
O presente o devora
E os navios do tempo
Agudos e lentos
O levam embora

Pois um amor morto não deixa
Em nós seu retrato
De infinita demora
É apenas um fato
Que a eternidade ignora

02 jun 2012

se foi

num momento
e não há mais nada
fecho os olhos
e a vida se foi
permaneço,
mas não sou mais

(scs, 28512)

02 jun 2012

dor

a dor que dói mais
não é a dor de ser só,
mas a dor de senti-la

(scs, 28512)

02 jun 2012

%d blogueiros gostam disto: