Monthly Archives: junho 2012

98

o
aceno
continuou
parado
no
adeus

30 jun 2012

97

ouviu
um
sussurro
gritando
sustos
terríveis

30 jun 2012

tríade 10

ontem nós vimos
aquela antiga felicidade
despedindo-se da vida

26 jun 2012

tríade 9

conservava no olhar
o outro estranho
jeito de amar

26 jun 2012

tríade única

quando ele chegou
a outra sorriu
a noite amou
(mistérios por trás
de crases e vírgulas)

26 jun 2012

águas

à orla de teus olhos
morria
o mar de tantas lágrimas

26 jun 2012

sem título

amava
se amada
com amor

26 jun 2012

E eram…

A Jeff e Mari, dois dos poucos

Eram, apenas não sabiam.
Como, sendo, não sabiam?
Não se pensavam?
Não diziam?

Diziam, mas não com palavras
não com olhos –
sonhos apenas.

Mas se já sonhavam, como não eram?
A mudez dos gestos
a amplidão de sorrisos
no estar tão perto
e o não única tão especial
– e a cúmplice amizade.

Se eram, como não sabiam?
Ou sempre soub(eram)
e não eram o que sabiam,
mas o que sorriam
e no sorriso diziam
disseram?

E num dia houve o ser
quando souberam
que já queriam
e agora
eram

16 jun 2012

cartas de amor (Fernando Pessoa)

Todas as cartas de amor são ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
como as outras, ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
têm de ser ridículas.
Mas, afinal,
só as criaturas que nunca escreveram
cartas de amor
é que são ridículas.

13 jun 2012

aos

A R & T, que entendem

A manhã plena de Sol
acordou nebulosa:
eles não estavam lá
e voltei.

A densa neblina da manhã
era cheia de Sol:
eles estavam sempre lá
e nunca parti.

(scs, 11612)

13 jun 2012

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