Monthly Archives: Maio 2012

contículo 16

No velho caderno de espiral, a velha professora encontrou velhas lições passadas para os velhos alunos da velha escola. Deixou pra lá, saiu do Face e correu para a academia.

26 maio 2012

contículo 15

Já sabia contar até dez com os dedos das mãos. Que nome teriam os dedos dos pés?

26 maio 2012

contículo 14

Lá no alto da montanha-russa, na primeira vez em que andou nela, vendo toda a paisagem e sentindo um gostoso frio na barriga e as mãos geladas, o menino gritou: “Prefiro vermelho!” Nem ele entendeu.

26 maio 2012

contículo 13

Nem bem abriu os olhos e já estava arrependido.

26 maio 2012

contículo 11

Dois filhotinhos de fino pedigree muito bonitinhos e tosadinhos e banhadinhos com xampú importado destruíram o sofá novo de madame. Ela os mandou para a creche.

26 maio 2012

contículo 10

À sombra da árvore a idosa descansou por tanto tempo que suas folhas amarelaram.

26 maio 2012

sem título

a tarde flui
como mãos dadas
idosas,
soltas e sem
saudade

(scs, 18512)

26 maio 2012

sem título

a criança não sabia
que podia sorrir
mesmo que o mundo lá fora
lhe fosse tão hostil.

nunca lhe disseram
que aquelas tristezas não eram dela
e, por isso,
não as precisava carregar, ombros frágeis.

ela nunca soube
que podia dizer não
e ainda continuar viva,
continuar criança, sem pressa
de não ser mais.

26 maio 2012

tríade 11

tanto mais amor
lhe dava Maria,
menos a queria

26 maio 2012

tríade 10

as quatro amigas
nem mesmo sabiam
como sentir saudades

26 maio 2012