Monthly Archives: abril 2012

70

Podendo
passaria
meu
passado
a
ferro.

21 abr 2012

mar amor outro amar

o som da onda
beijando a areia,
sussurrando-lhe sua paixão,
acaricia o coração triste
de lembranças cinzas
e sons de desgosto,
embala seus cabelos
como carinho de mãos suaves
que amparam e revigoram.
o som da onda
maculando o silêncio profundo
da noite sem estrelas
repete as palavras de amor
um dia rascunhadas em suspiros
e arranhadas na areia e na pele
como confidências imaturas
— não havia ainda limo nas pedras
nem nuvens ocultando a vida,
como promessas falsas
que não resistem ao tempo,
que não têm os pés sobre uma rocha,
inertes como o tronco caído
no qual cresce o musgo macio
no qual a vida se nutre da morte
na intensidade vermelha do sangue
— mesmo que o pulso agora silente
nem mesmo saiba o que amou
era, então, apenas um som
do mar
sem mais cor ou aromas
sem a presença das duas almas
sem o tremor tímido da presença do outro.

vão e vêm as ondas,
o som do mar se vai sumindo
já foi, e nunca foi, aquele amor
que, um dia, molhou a areia
e sorriu ao contemplar o mar.

(sa, 1412)

06 abr 2012

outro dia

então, já não havia ainda a dor
no amplo vazio entre meus abraços

o suspiro foi-se diluindo
e, depois, só o suave luar prateava

a última lágrima nos meus olhos,
o intenso adeus ao que não mais sofria

(sa, 1412)

06 abr 2012

o mistério

Há um estranho mistério
na amizade:
é como um não-era
que agora sempre foi.

06 abr 2012

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