Monthly Archives: outubro 2011

Nada

não conheço a serenidade
de teus ouvidos
ou a tristeza
de tuas mãos
ou a saudade
em teus olhos
ou a loucura
em teus acenos
ou a modéstia
em teus cabelos
ou as angústias
em teu ventre
ou a melancolia
em teus lábios.

nada sei de ti.

(scs, 4511)

01 out 2011

Gêmea

só quem tem minha alma
sabe a dor que sinto

01 out 2011

Frio

dois corpos
tão nus
estendidos
lado a lado
desconhecidos
sem luz
dois corpos

01 out 2011

pronomes

te vejo
pronome oblíquo
por vezes tão obtuso

01 out 2011

sem nome

na vida
inóspito deserto
o amor é
oásis

(scs, 191010)

01 out 2011

Nunca mais

eu reencontrei um sorriso
no meu rosto
desnutrido, esquecido
quase irreconhecível

tomei-o com cuidado,
temeroso de quebrá-lo
fiz-lhe respiração boca a boca
molhei seus lábios com chuva

ele se contorceu um pouco
– parecia sentir dor –
tentou balbuciar qualquer coisa
– seria uma despedida

ou uma canção de amor? –
mas não pôde, não quis
ocultou-se de novo
e nunca mais o vi.

(scs, 29511)

01 out 2011

sem título

Há dias
em que o dia seguinte
sempre é
ontem.

(scs, 31811)

01 out 2011

Brasa

Teu sorriso nasceu
antes do Sol,
mas eu não vi.
Tua mão lançou
sementes à estrada,
mas eu não sorri.
Tua risada alegrou
a tarde oculta na névoa,
mas eu não quis desfrutar.
Teus cabelos agarraram
perfumes e flores do bosque,
mas preferi esquecer.
Teus sonhos cantaram
sobre um lago e seu luar,
mas eu ignorei.
Teus olhos brilharam
com as nuvens e os ventos,
mas eu me magoei.
Teus suspiros celebraram
a brasa e o calor à noite,
mas eu fugi.
Teus passos te levaram
para sempre para longe,
então, eu me arrependi.

(sp, 19611)

01 out 2011

culto em Paraty

Uns poucos.
O pequeno rebanho
do grande Deus.
Voz rouca,
voz louca,
uma só voz
ao Único.
Mesmo com olhos que não vêem
há visão do que a carne não vê
e o grande Deus
fala
na boca simples de quem O teme.
E os visitantes
são de casa
são a Casa
com todos no inefável vínculo do ágape.
Milagre. Mistério. Zoé.

(p, 18911)

01 out 2011

silêncio

tenho zumbido nos
ouvidos
que me acompanha por
boa(?) parte da vida
hão há silêncio dentro de mim,
mas coro com
pensamentos
vozes gritos lamúrias
sonhos idéias ideais
lembranças torturas
sorrisos passados
imagens névoa
músicas
e um ruidoso silêncio
que não quer calar

(p, 19911)

01 out 2011