No mar de Paraty

águas calmas
areia clara
ar puro
aroeira
árvores
azul-turqueza
brisa mansa
cor
calma
flores
gotas
história
sǝɹɐlnɔıʇɹɐdsǝpɐpǝıɹdoɹd
sǝpɐpıɹqǝlǝɔǝpsɐɥɔuɐlǝsɐɥlı
maresia
mistério
nuvens
ondas
pássaros
paz
peixes
reflexos no mar
riso
sol
sons
suspiro
vento frio
vida

enfim, vida…

(p, 17911)

Casa dos amigos

A Rafa e Tássia

o descanso
na casa dos amigos
o profundo sono
no leito amigo
o calor morno
e o vento pela janela da casa amiga
a acolhida
a quem não é, mas volta
por ser ao longo dos anos
amigo
a meia luz, a história do outro,
a música, a demência,
outra história de
amigos
nova preocupação, fardo no peito
consolo certo, semelhança
as muitas fotos, os mimos
a imensa alegria, honra imerecida
estar na
casa dos amigos

(r, 11911)

Promessa

A velha cancerosa
fuma fede
fala alto tosse
sangue.
Parece não ter medo da morte.
Pelo contrário,
sente saudade dela,
que a deixou logo na infância desnutrida.
A velha doente
acalenta a esperança
num cigarro após o outro
de que a morte logo cumpra
a promessa
de levá-la –
feita há tanto tempo.
Tosse fede
sangue

(scs, 31811)

Búzios

Brigitte
passou por aqui.
Estátua
monumento
nome
cartão postal
relatos
cocô de pombo
história
só um personagem longínquo
pétreo indefinido.

Eu estou aqui
anônimo.
Férias
descanso
fervor
sossego
pensamentos livres
distante
ausência
recomeço.

Azar o seu, Brigitte!

(búzios, 14911)