220

aprisionei-me
em
teus
sonhos
de
liberdade

18 abr 2017

De risos e morte

o homem,
de tão feliz,
ria sozinho noite afora
sem se importar
com os que
dormiam de tristeza
com as janelas fechadas
com o coração frio

e ria sua alegria desinteressada
pelas ruas e jardins
sem nem notar
a chuva que chorava
as mágoas de toda a cidade

ia rindo sua alegria descabida
pelas ruínas do velho casarão
de tantas memórias sombrias
e pelos corredores do hospital
de aleijados e parturientes
que pensaram, por um instante,
que podiam também rir

e seguia rindo ao lado do rio
entre homens magros e famintos
e mulheres exploradas (hematomas)
e crianças ranhentas jogando futebol
sem sorriso

e seu riso gostoso, intenso,
quase imoral
inquietou o ancião, que lhe jogou uma pedra e um deboche,
mas uma criança sorriu
uma mulher sacudiu-se rindo com a agulha na mão
um homem dançou com a muleta
a jovem na janela fechada ficou pensando se poderia…

sua insana viagem seguia;
dele, o homem que sorria,
a risada já ia longe
poluindo com sua leveza o ar de chumbo
daquela cidade mórbida:

deixava para trás
irados homens sórdidos
escandalizadas senhoras carolas que emudeceram o riso e a fé
muitos indiferentes transeuntes que não sabiam se estavam vivos
e
dois ou três loucos
que continuavam rindo e indo
enquanto a morte os perseguia
na cidade que morria

(scs, 13913)

02 abr 2017

219

infelizes
exibem
covardes
exigem
monstros
eximem

30 mar 2017

218

lama
na
mala
alma
sem
calma

22 mar 2017

sem título

ouvindo a sussurrada canção
no meio da manhã
escapou-me um sonho das mãos
e, sem receio,
um adeus

(sd)

20 fev 2017

217

quanto
mais
menos
era
mais
nada

20 fev 2017

216

entre
duas
palavras
escolhi
a
outra

20 fev 2017

215

menino
testemunha
palatar
de
um
creme

20 fev 2017

214

os
sonhos
hão
de
despertar
enfim

20 fev 2017

213e

f lt m
l tr s
pr
d z r
t d
aaeaaieuo

20 fev 2017

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