216

entre
duas
palavras
escolhi
a
outra

20 fev 2017

215

menino
testemunha
palatar
de
um
creme

20 fev 2017

214

os
sonhos
hão
de
despertar
enfim

20 fev 2017

213e

f lt m
l tr s
pr
d z r
t d
aaeaaieuo

20 fev 2017

nove

susss
piro
suss
urro
sus
penso
imenso
descubro
inspiro

19 fev 2017

sem título

o que era de fato
nem mesmo pensamos
no entanto sim estava
e por isso tão solene
como a noite e uma
gota de sangue ou lágrima
de toque macio e não
tão simples sendo assim
que surpresa já sempre
um anelo não uma ausência
de poucas cores mas doçuras
nem haveria em nenhum canto
o aroma de que fizemos
o outro sonho da alegria difusa
bem de manhã sem lençóis
piso frio caminha tonto
e florejam liláses a nuvem
miúda nos diz o Nome e
lembramos nada somos
só desejos e saudade

(sp, 25813)

19 fev 2017

outra

detive-me a te contemplar
outra manhã
e já eras
outra

ainda muito a mesma
no entanto
sim
no entanto, ali, sem sabermos
outra

foi a vida que se refez
mergulhada nos dias
passeios e loucuras
medrosos passos e
novamente feliz

e, então,
sem aviso, claros sinais,
eis-te
outra

(scs, 8813)

19 fev 2017

Versinho

Fiz um versinho
pra meu amor;
um verso bobinho,
como bobinho é todo amor.

No meio do verso
fiquei sem palavras,
como sem palavras deixa
todo verdadeiro amor.

Queria dizer muito mais,
pois sempre há muito mais a dizer
num bobinho grande amor.
Mas preferi o silêncio,
pois de silêncios também ama
quem ama com grande amor.

(scs, 16416)

18 fev 2017

sem título

estrela carente
risca o céu
da minha boca
num beijo de
boa-noite

(scs, 1914)

18 fev 2017

quantos

quantas coisas a noite esconde
em meus braços frios
nos pensamentos sem fim
confinado na estrondosa solidão desse quarto

quantos segredos espalhados pelas paredes
vislumbrando aquele passado já não mais inventado
de desenhos na areia do mar
um repentino aceno e o fim

quantos momentos aprisionados no relógio parado na cabeceira
gritando sua inexistente presença e dor
em cada conflito refeito e os medos
ainda mais meninos e não os há
– só as pegadas indistintas no pó

quantos carinhos amordaçados nos cabides
entregues ao desprezo e ao vazio
tantas manhãs de outrora: eram luzes
nem deles memória nem saudade

quantas madrugadas de anseios recatados
debruçadas na janela fechada
as nuvens distantes flertando com o desespero
refrescam seus cabelos de cinzas e remorsos

quantos outros navegam a mesma alma
ao revirar das lembranças desgovernadas
– a goteira é o único som consolador
na estrondosa solidão desse sonho inquieto

(scs, 8815)

06 fev 2017