Poesia

perda

outros tantos são
os sabores dessa ausência

os mesmos sonhos nos
visitam desde a infância

nem sempre lembramos do
que fomos, à distância

sabemos, tão tolos,
dos risos da demência

querendo de volta, logo,
cada parte de nossa substância

para sempre perdida
na alegre inexistência

(scs, 61216)

09 jan 2017

definição

sou a soma
de mim
e mais nada

09 jan 2017

soneto do sono perdido

a última alegria que guardo
é da triste despedida
e, depois, a viagem incerta
tão imensa

na escura noite de solidão
a lua prateada me era por única companhia
na multidão que também ia
sem saber

nem me deixei chorar
de risos tantos que nunca tive
na plena felicidade que agora
era nunca mais

à noite, acordado no quarto frio,
abraço a lembrança em torno do travesseiro
e não sei mais se vivo ou desisto
de sonhar

(scs, 141216)

17 dez 2016

saudade

Saudade é a malvada dor
que o benfazejo amor
faz brotar pela ausência
e rega com a distância.

Ah, tenha dos saudosos clemência
e dá-nos, da presença, constância!

(scs, 151216)

16 dez 2016

tempo

o tempo corre, voa
escoa por entre os dedos
os medos
os segredos
os segundos
outros mundos
e já não é, foi-se, ontem
sempre tudo ontem não-mais
e vai-se
o hoje é uma constante espera
uma perene saudade

(scs, 29116)

09 dez 2016

sem título

considerava o horizonte
quando a saudade sumiu
no vento suave que sussurrava
uma nova vida

e lhe voltou o sorriso
sem o peso daqueles ontens
afastou-se lentamente da sepultura
as flores no chão como despedida

(scs, 4116)

09 dez 2016

sem título

ah!
a solidão dos silêncios
num dia de tanta felicidade

e tudo o que há é esse vazio

embalado por teu carinho
e nossa música

03 dez 2016

sem título

minha poesia
é
meu caos
dentro
de mim

28 nov 2016

dele

um leãozinho demais
patinando na neve
e mostrando a língua.

não é poesia,
mas foi meu neto quem disse.

então é.

01 out 2016

de uma real Distância e suas Dores

a Rafa e Tássia

I

de perto
amor
de longe
saudade

no todo
amor
quando partes
saudade

tua voz
amor
teu silêncio
saudade

sempre presente
saudade
sempre presente
amor

quando ausente
– amor
tua presença
saudosa

II

saudade
é uma sombra do amor:
está onde ele está,
mas quando não está;
é ele, mas não é,
mas é

se alimenta
de distâncias
de não-estar
dos acenos
que queríamos
proibidos

III

nos acenos
serenos tristes
com os quais
te vais

vem, assim, a ausência que
nenhum tempo mede
nem cura

amor
meio arte
saudade
meio morte

quando ficas
partes
em tudo
ficas
todo

IV

todas as distâncias
que são sempres
escoam lentas caudalosas
no tempo que se acumulou estático
no virar
de outro dia

e rememorar o aqui naquela ocasião
faz presente os ausentes
em lembrança e sorriso
– como o tempo voa
quando a gente começa
a relembrar

e talvez haja ocultos
fatos ainda não-inventados
desses que vivemos ou amanhã
muitos tantos que só podem ser
o restante da vida e outro tanto

e, ainda assim, o tempo leva muito tempo
pra passar

V

a estrada que se esconde sob a sombra
permanece muda como os risos de ontem

e avança na noite distanciando presenças
mergulhadas no silêncio que emoldura nós dois

vamos repetir a aventura ainda não vivida
de milhões de fotografias risos passos e aromas

repetiremos as convicções aninhadas em histórias
que são, que sempre serão estranhas e belas

e a saudade será sempre
nunca mais

(scs, 1115)

13 jul 2016