Monthly Archives: julho 2014

poema

O Poema é antes de tudo um inutensílio. […] Ninguém é pai de um poema sem morrer.

(Manoel de Barros)

26 jul 2014

A carta (Marina Tsvetáieva)

Marina Tsvetáieva

Assim não se esperam cartas.
Assim se espera – a carta.
Pedaço de papel
Com uma borda
De cola. Dentro – uma palavra
Apenas. Isto é tudo.
Assim não se espera o bem.
Assim se espera – o fim:
Salva de soldados,
No peito – três quartos
De chumbo. Céu vermelho.
E só. Isto é tudo.
Felicidade? E a idade?
A flor – floriu.
Quadrado do pátio:
Bocas de fuzil.
(Quadrado da carta:
Tinta, tanto!)
Para o sono da morte
Viver é bastante.
Quadrado da carta.

(Tradução de Augusto de Campos)

(Fonte)

25 jul 2014

sem título

minha sorte
foi achar-te
minha morte
foi amar-te

(scs, 15714)

18 jul 2014