Monthly Archives: julho 2012

contículo 29

O vento agitava as folhas com tamanha ternura que elas coravam de vergonha.

29 jul 2012

contículo 28

Depois de tantos anos, sua infância já lhe pesava sobre os ombros.

29 jul 2012

contículo 27

De tanto contar mentiras, o homem passou a desconfiar que não existia.

29 jul 2012

contículo 26

Ao tocar na mão dele sentiu-se tão feliz que até esqueceu que não era feliz antes.

29 jul 2012

a folha

a folha que cai
da árvore
queria nunca tocar
o chão
se misturar
à terra
se tornar húmus
e nunca mais ser
a folha

29 jul 2012

contículo 25

Entrou no elevador tão absorto em seus pensamentos que ninguém nunca mais o viu.

29 jul 2012

tríade 12

ao sono entrego
os últimos sonhos:
o dia vem.

29 jul 2012

tríade 11

menina, vamos embora!
terminou o tempo
de ser feliz!

29 jul 2012

acenamos-lhe

nós víamos o barco se afastar
e os acenos e os apitos
se misturando se ensurdecendo
a cabeça triste sumia
entre tantas igualmente ou felizes
e terminava a vida
no cair da tarde
– e nunca mais

(scs, 16612)

18 jul 2012

manhã

naquela manhã sepultada
mentiu ao bom-dia:
não quis viver

mentiu de novo
sobre o medo
de ser outro

não conseguia ver
seu olhar sereno
nem a chuva

(scs, 16612)

18 jul 2012