Monthly Archives: abril 2012

V

um V de sangue
que formava uma linha borrada
sumindo aos poucos
manchou minha camisa branca
no combate com tua fúria
sem sentido
sem sentir a dor
sem prumo
sangra apenas o V
e me faz sentir ainda
vivo

(scs,21212)

28 abr 2012

sem título

o moço coçou o bigode
tão timidamente
que a moça de cabelos longos
continuou a não vê-lo.

(sa, 13412)

28 abr 2012

manhã

e aconteceu nesta manhã que,
surpreso,
ao olhar-me no espelho
me reconheci.

(sa, 13412)

28 abr 2012

fim de tarde

Quantas poesias morreram
em mim
enquanto eu caminhava
de volta pra casa.
E ainda morrerão,
e delas sinto saudades —
nada sei delas,
apenas que, por um breve momento,
existiram.

(scs, 19412)

28 abr 2012

cadeias

Há tantas palavras aqui
aprisionadas
que, libertas,
incendiarão o mundo ou
apenas afagarão
um menino.

(scs, 27412)

28 abr 2012

não havia

Não havia na ternura
senão esperança.
Não havia no sossego
senão ojeriza.
Não havia no pesadelo
senão lembranças.
Não havia no desatino
senão amor.
Não havia na amargura
senão felicidade.
Não havia no sorriso
senão súplica.
Não havia no amparo
senão suborno.
Não havia no desencanto
senão verdade.
Não havia no repouso
senão outro.
Não havia no invisível
senão ausência.
Não a via no quarto
senão remorso.

28 abr 2012

sem título

Tinhamuitapressapradizeroquesentia
mas
nem
uma
paciência
para ouvir
o que precisava.

27 abr 2012

91

mergulhei
em
tua
alma:
me
desvendei

27 abr 2012

90

Meu
conselho?
Deixa
partir,
e
vive!

27 abr 2012

89

Amanhã?
Deus
está

me
esperando.

27 abr 2012