208

vida
de
tantos
efêmeros
amores
eternos

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25 jul 2016

207

revejo
tantos
rostos
nenhum
o
meu

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25 jul 2016

206

m

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25 jul 2016

de uma real Distância e suas Dores

a Rafa e Tássia

I

de perto
amor
de longe
saudade

no todo
amor
quando partes
saudade

tua voz
amor
teu silêncio
saudade

sempre presente
saudade
sempre presente
amor

quando ausente
– amor
tua presença
saudosa

II

saudade
é uma sombra do amor:
está onde ele está,
mas quando não está;
é ele, mas não é,
mas é

se alimenta
de distâncias
de não-estar
dos acenos
que queríamos
proibidos

III

nos acenos
serenos tristes
com os quais
te vais

vem, assim, a ausência que
nenhum tempo mede
nem cura

amor
meio arte
saudade
meio morte

quando ficas
partes
em tudo
ficas
todo

IV

todas as distâncias
que são sempres
escoam lentas caudalosas
no tempo que se acumulou estático
no virar
de outro dia

e rememorar o aqui naquela ocasião
faz presente os ausentes
em lembrança e sorriso
– como o tempo voa
quando a gente começa
a relembrar

e talvez haja ocultos
fatos ainda não-inventados
desses que vivemos ou amanhã
muitos tantos que só podem ser
o restante da vida e outro tanto

e, ainda assim, o tempo leva muito tempo
pra passar

V

a estrada que se esconde sob a sombra
permanece muda como os risos de ontem

e avança na noite distanciando presenças
mergulhadas no silêncio que emoldura nós dois

vamos repetir a aventura ainda não vivida
de milhões de fotografias risos passos e aromas

repetiremos as convicções aninhadas em histórias
que são, que sempre serão estranhas e belas

e a saudade será sempre
nunca mais

(scs, 1115)

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13 jul 2016

espaço

eu me espalho
em pedaços
esparsos
no espaço
entre nós

mas passo
no espelho
de nós dois
sem compasso

meu atalho, vermelho,
de sangue um traço
e recomeço
ainda velho

(eal, 22315)

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13 jul 2016

sem título

vou caminhar
hoje e amanhã assim:
sem destino
sem início
sem mim

(scs, 15616)

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13 jul 2016

205

escrevi
teus
silêncios
em
mil
páginas

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13 jul 2016

não

mesmo sendo cedo
mesmo sendo antes
mesmo sendo medo

mesmo sendo louco
mesmo sendo presa
mesmo sendo pouco

mesmo sendo ator
mesmo sendo nada
mesmo sendo horror

mesmo sendo senão
mesmo sendo vento
mesmo sendo irmão

mesmo sendo assim
mesmo sendo outro
mesmo sendo meu fim

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08 jul 2016

sem título

bipolar

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24 dez 2015

De onde sentado, no ônibus, observo

ônibus

a paisagem no fim da tarde
é de rostos cansados
inóspitos
imensas solidões e
eternas amizades
lista de por-fazer
angustiosa volta ao lar
de ônibus e seus estranhos
ruídos de motores e suspiros
sono encostado no vidro
a longa despedida para tão-breve
placas luzes grafites cores muros gatos náusea
vinda de desabafos à luz miúda
de pequenas imoralidades
o outro ser fingido real na tela do celular
um estranho lá fora – e outro aqui dentro
com a pressa de cerrar portas
sombras frias esgueirando-se nas esquinas
em pés descalços preguiçosos
o copo de esquecer-se

e a criança quer continuar brincando

(foto de Corinne Béguin)

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27 nov 2015