mais

preciso poetar mais
a vida anda muito engasgada
na ponta da pena
anseios e assombros
não se entregam se não
sangrarem tinta
muitas paisagens se perdem só nos olhos
os sonhos desneblinam-se ao amanhecer
– o mundo é menor que as sílabas! –
só o poema pode guardá-los
vivos e tenros (eternos?)

Não

nem o espelho o via
sem sombra,
seu espaço percorrido pelas pessoas
a chuva atravessa seu não-estar
o vento carrega folhas através de seu peito
ele não há

(mc, 1059)