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ver-se
como
verso
espelho
sem
reflexo

15 jul 2018

a ti

01 jun 2018

sementes

Havia necessidade
de que cada palavra fosse dita uma só vez
e que seu poder de semente, então,
se plantasse no coração
e germinasse como consolo à saudade
e como abraço sem vontade
ou como sorriso ao fim da tarde.

E no limiar do dia,
antes da neblina e do sono,
antes do adeus, do sem-poesia,
a flor se fechasse pudica, como outono,
aguardando a aurora, o orvalho, o despertar
para falar de novo
ecoar

o consolo
o abraço
o sorriso
a ternura
o colo
o afago
o lento desespero de querer
ser feliz

(scs,31811)

03 fev 2018

sem título

25 dez 2017

Prestuplenie i Nakazanie

como se não bastasse
de novo como ontem
o sonho se fez pranto
e a vida, como torto espanto,
transcorre, corrente de sangue, loucura
tímida, entre raios da lua
diminuta intensidade de amor
suave incerteza de tamanha dor

e de novo a mesma-sempre
a diversa, a nunca-outra
aquela que permanece ainda-ser
e percorre-me silente, sem temer
com gana, violenta candura
e arranha os poros e soletra, nua,
todas as mesmas insanas presenças
aninhadas no corpo quais febris doenças

e como se não morressem
o infindo retorno e a colisão
esmera-se em lapidar a rude jóia
e a carregar na superfície tênue inglória
folhas e olhos e doçura
e a firme dúvida que corrói, crua,
e cria monstros e os conforta
depois foge assustada e deixa aberta a porta

mui assustada com plasma e vísceras
corre louca solidão adentro
arrastando seu vestido branco
rasgado, com manchas de limo no flanco
com vestígios da tensa manhã escura
ainda sorrindo indefesa e vil (sua)
grita com voz surda e triste
na ponte orvalhada que não mais existe

e como se não soubesse
há ainda outro desatino
imperfeito como o ouro puro
e o talho nas costas, feio e escuro,
verte sofismas e uma nuvem impura
minúsculos tesouros cortados – que os possua! –
imersos em lava e alga
fugindo no cavalo cego que cavalga

ah! por que não recomeçam
e se materializam em
diademas de mãos espalmadas em flor
em vastos campos de folhas cinza e calor
de outonais repouso e ternura
da imorredoura saga final. e lhe retribua
o sono inócuo sem fim
e a lamúria que se finda tonta em mim

(scs, 10210)

28 nov 2017

fim

não
nenhuma novidade
no sopro inquieto do vento
que nos faz companhia neste dia tão comum

sem
qualquer surpresa
os olhos se encontram
e já não falam aquelas mentiras tão carinhosas


nem sabemos
o nome daquela saudade
abandonada no refúgio das coisas evitadas

quão
belas nuvens
ocultam a luz difusa
e as mornas mãos acenam uma desesperança

ver
mais perto
os olhos de um passado
entalhado na pele e nos suspiros ainda eriçados

sim
sabemos que
nada outro nos alegrou
em todo o tempo de sermos dois caminhos

nos
olhos borrados
mesclam-se lágrimas e pó
um desenho de abraços que estavam aqui

vai
como ventania
o dia de ontem esquecido
traz aquele brilho dos lençóis novos

sons
tão sonhados
das canções envergonhadas mudas
feita um pedido nervoso de olhar tímido

fim
de tudo
num suspiro vazio de adeus
mãos tímidas aquecidas na pele alheia

(scs, 26911)

27 nov 2017

personauta

09 ago 2017

encontro

encontrei na rua deserta
um cão perdido
triste
olhei-o olhou-me
triste
deixou-me
perdido segui(u)

(scs, 19317)

09 jun 2017

paixão de inverno

eu me deixei
nevar
por teu sorriso
e nunca mais
me senti tão
sol

(scs, 191216)

09 jun 2017

sem título

a morte me deve explicações
mas é covarde
foge sempre

09 jun 2017

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